
Mantorras, faz hoje uma semana que desapareceste sem deixar rasto. Como foste capaz de fazer uma coisa dessas? As pessoas adoravam-te, apesar de todos os organismos vivos que se passeavam pelo teu lombo, fazendo lembrar uma selva no deserto. Tu cantavas para animar a multidão que se juntava à tua volta e à volta do Tijolo que te acompanhava na guitarra. Só tu sabias entoar aquelas músicas exóticas que mexiam até com as pedras da calçada. Tu ias à missa, aos casamentos e até mesmo aos funerais. Tu eras idolatrado por inúmeros desconhecidos que te invejavam, pela tua maneira de ser, pela tua boa disposição e, claro, pela tua inteligência e enorme sentido de humor. Vou ter saudades dos tempos em que ia contigo para o rio e te atirava às bogas e aos crocodilos, e tu Mantorras? Tu nadavas Criz acima à procur
a de solo firme ou de algum pedaço de madeira deixado pelo Jacinto, para te agarrares, pois as forças começavam a faltar. Quando o Pioni ameaçava arrancar na sua motorizada, já tu te estavas a preparar para fazer um despique. Tu e o Pioni. Uma vez o Pioni chegou a confidenciar-me que tinha que arrancar meio minuto mais cedo para ter hipóteses de chegar primeiro, tal era o teu poder de arranque. Tu e o Pioni. Mas foste que desapareceste e não o Pioni, infelizmente! A vida é assim Mantorras. Não podia de maneira nenhuma deixar de te fazer aqui uma singela homenagem. Estejas tu onde estiveres, nunca te esqueças que serás sempre a nossa mascote. Viva o poderoso Mantorras.




