terça-feira, fevereiro 12, 2008

Ser ou não ser bombista-suícida, eis a questão...

Efectivamente, nas minhas viagens pelo mundo deparo-me com bastantes surpresas, com pessoas interessantes, com gajas boas apesar de terem os dentes estragados, mas em algumas culturas e países os dentes estragados são sinónimo de beleza; deparo-me também com miséria, alegria, tristeza, felicidade, etc... enfim, uma panóplia de muitas coisas...
Numa destas viagens que fiz, mais propriamente, a países asiáticos, tais como: Afeganistão, Iraque, Irão, Paquistão, dei-me com pessoas cuja profissão é bastante explosiva e exije uma grande capacidade física e força de vontande. Estes indíviduos são bombistas-suícidas e são aqueles que costumam aparecer na televisão quando executam o seu digno trabalho. Mas em conversa com alguns destes fulanos, fiquei com a ideia de que eles estão algo descontentes com as condições de trabalho proporcionadas pela entidade patronal, e ao que sei o sindicato dos bombistas-suicídas já está a preparar uma manifestação à frente da sede das brigadas dos martíres de Al-Aqsa. A falta de condições no trabalho está relacionada com o peso excessivo que cada trabalhador está encarregue de transportar quando vai trabalhar, ou seja, os coletes que eles vestem carregam bombas soviéticas dos anos 60 e 70, que são caracterizadas pelo seu volume e peso de chumbo.
Depois de trabalhar como fazendeiro numa quinta de papoilas de Abdulah José Azziz, João Paulo V (nome fictício), viu-se sem emprego face à mão de obra barata que começou a chegar de Portugal para trabalhar no Afeganistão. O centro de emprego de Kabul indicou-lhe a empresa de bombistas-suicídas 'Brigadas de Al-Aqsa', e Abdulah aceitou sem hesitar, pois precisava de dinheiro: "... no ínicio era tudo muito bom, começávamos a treinar às 8 horas da manhã até ao meio-dia e à tarde íamos jogar Pro Evolution Soccer na Playstation 3, mas o pior veio depois, quando trocaram este jogo pelo Sims Playboy, para não falar no peso das bombas que tínhamos que carregar durante os treinos, à conta disso ando aqui com borrega no pé..." confidenciou Abdulah.
Face a esta situação bastante complicada, deixo o repto a todos os que lêem este blog no sentido de pressionarem todos os empresários da indústria pirotécnica para que façam bombas mais leves, pois já não basta a estes simples e humildes trabalhadores ficarem feitos em carne picada, utilizada mais tarde nos Cheeseburgers, como ainda têm que andar com 100 Kg no corpo, sujeitos a ficarem mancos. Fica o repto lançado.